Estresse, ansiedade e esgotamento

Estresse, ansiedade e esgotamento referem-se à algum tipo de transtorno emocional que aflige o homem nos dias atuais. Mas qual será a diferença existente entre cada um destes termos.

A ansiedade corresponde a uma ação fisiológica do nosso organismo responsável por sua adaptação diante de uma nova situação, como o simples fato de acordar pela manhã. Para esta nova situação um pequeno nível de ansiedade é, então, normal e necessária. Diante de novas situações durante o dia necessitamos de um nível de ansiedade maior responsável pela mudança de nosso desempenho físico.

Percebemos emocionalmente a ansiedade como um sentimento de apreensão ou sensação de que algo está para acontecer, gerando um estado de expectativa e de alerta. Já fisicamente a ansiedade promove alterações significativas onde o processo de adaptação terá início no Sistema Nervoso Central passando a comprometer o organismo.

Embora a ansiedade nos favoreça diante de uma fase de adaptação às circunstâncias, ela só o faz até o ponto onde nosso organismo atinge o seu maior grau de eficiência. A partir deste ponto ela promoverá o oposto, ou seja, poderá provocar a falência de nossa capacidade adaptativa. A partir daí enfrentaremos uma nova fase, o esgotamento.

E o estresse?

Para a ciência, estresse e ansiedade é a mesma coisa. Para melhor entendimento  podemos dizer que, a nível cultural, o estresse corresponde a um estado de ansiedade exagerado ou patológico. O estresse corresponde a um estado quando o nosso organismo é submetido à uma nova situação, tanto física quanto psíquica, contra o qual terá de lutar para superar correspondendo, portanto, a um mecanismo necessário para nossa adaptação à vida e, indispensável à nossa sobrevivência.

Considerando que o objetivo geral do estresse é a adaptação, esta síndrome segundo alguns autores, consiste de três fases: alarme, resistência e exaustão.

O estresse começa com a fase de alerta ou alarme quando o Sistema Nervoso Autônomo provoca uma série de alterações fisiológicas controlando, autonomamente, todo o nosso organismo através de descargas de adrenalina e noradrenroalina na corrente sanguínea. Podem surgir problemas fisiológicos como taquicardia (batimento mais rápido e forte do coração), respiração e suor frio entre outros.

Quando persiste a ação do agente estressor entramos numa fase de resistência que se caracteriza pela hiperatividade da glândula suprarenal. Corresponde a luta do organismo contra a fase de alerta onde o indivíduo pode controlar-se ou persistir no desgaste físico e emocional. Surgem então, mudanças de comportamento, insônia e descontentamento. O estado de tensão pode afetar o sistema imunológico.

Continuando a ação do agente estressor o organismo enfrentará uma terceira fase, que é a exaustão, quando começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficits das reservas de energia. Esta fase favorece o aparecimento de doenças crônicas e de difícil reversão. Podemos ser afetados por problemas emocionais, hipertensão, ulceras, gastrites, fadiga crônica, alterações do sono, dentre outras.

A importância da respiração

Respirar é viver e respirar profundamente é viver profundamente. Como afirma G.I Gurdjieff: “Sem dominar a respiração, nada pode ser dominado.” 

A respiração participa do princípio da ecologia cósmica uma vez que o oxigênio que respiramos é o resíduo da respiração vegetal expelido no meio ambiente assim como o dióxido de carbono, resíduo de nossa respiração, ao ser eliminado na atmosfera, é absorvido pela vida vegetal. Através dela conectamos nosso mundo interior com o vasto mundo exterior, a terra, sua atmosfera e toda a vida orgânica existente nela.

O oxigênio é de vital importância para nós, seres humanos, uma vez que participa com 65% na constituição de partes do nosso corpo, como sangue, órgãos, tecido e pele. Somente o nosso cérebro, que representa 2% de nossa massa corpórea, necessita de 20% do oxigênio presente em 21% do ar que respiramos.

Além da oxigenação, o outro efeito que a respiração gera no nosso corpo é o processo oxidativo, através do qual o oxigênio participa tanto na produção de energia quanto na defesa do corpo contra bactérias, vírus, leveduras e parasitas. ,

Se, por um lado, o oxigênio é a maior fonte de oxigenação, por outro, o ozônio e o peróxido de hidrogênio constituem os mais conhecidos agentes da oxidação, muito embora também sejam poderosos no processo de oxigenação. Quando este processo é fraco ou deficiente, nosso corpo pode ser levado a experimentar estados diferenciados quanto à sua ocorrência. Em menor grau, há manifestação de fadiga, indolência e indisposição. Diante de casos crônicos de deficiência oxigenativa, ocorre um enfraquecimento de nossas respostas imunológicas à ação de germes e vírus, o que nos torna alvo de manifestação de doenças. No entanto, estes oxidantes também estão ligados à produção de radicais livres.

O ar, ao entrar no nariz é filtrado através dos pêlos nasais que retêm impurezas para, ao longo do percurso pelas vias nasais, ser umedecido e aquecido. O ar percorre diferenciadamente seu percurso por ambas as narinas, uma vez que, quando uma está mais aberta, a outra se encontra mais fechada. Isto ocorre pela alternância do fluxo sanguíneo nas narinas. É nos alvéolos pulmonares que se dá a troca de oxigênio por dióxido de carbono. Ao chegar aos pulmões, o oxigênio entra no sistema circulatório, e é transportado pelas moléculas de hemoglobina do sangue, chegando às células, onde, combinado com o carbono dos alimentos, irá gerar energia biológica, num processo de combustão lenta. Esta energia é deslocada para moléculas que irão armazená-las e disponibilizá-las para todo o organismo. Na expiração, os produtos residuais, como o dióxido de carbono, são devolvidos e eliminados através das moléculas de hemoglobina.

Segundo os mestres taoistas, quando a mente se acalma e esvazia, a respiração natural surge automaticamente, como consequência de um trabalho conjunto mente/corpo. A respiração natural se constitui numa potente forma de equilíbrio, não dependendo apenas daquilo que fazemos, mas, sim, de como o fazemos.

Respiração e emoções se interrelacionam. Quando a raiva se manifesta, por exemplo, poderemos perceber que nossa inspiração se torna superficial, com expirações fortes além de manifestações de tensões no pescoço, mandíbulas, peito e mãos. Sensações de medo se relacionam a inspirações rápidas, superficiais e irregulares. Diante da tristeza, a respiração se torna espasmódica, a impaciência nos conduz a respirações curtas e descoordenadas, enquanto o sentimento de culpa e a autocrítica estão ligadas a uma respiração constrita e sufocada.

Candace Pert, neurocientista de reconhecimento internacional, acredita que as endorfinas, produzidas em nosso cérebro, são os “equivalentes bioquímicos das emoções”, podendo exercer influência sobre a saúde. A energia neuroquímica das emoções não pode ser destruída, geralmente é transformada numa outra forma de energia – cinética ou mecânica – que atua sobre os nervos, tecidos, estruturas e movimentos do corpo.

Se não podemos livrar-nos de nossas emoções negativas, podemos tomar consciência delas, para, através da respiração natural atingir um estado de harmonia interior.

Kiron